Depois de tanto tempo…algo que vale mesmo a pena!

Antes de mais nada, muitas desculpas tenho que pedir aos leitores deste blog pela falta de actualizações de há algum tempo para cá. A falta de tempo de final de período lectivo seguida de uma tremenda necessidade de descanso deixaram pouco tempo e vontade para passar demasiado tempo em frente ao computador a teclar. Mas pronto, depois do merecido descanso, aqui estou de regresso com mais algumas ideias para quem aprecia um estilo de música mais alternativo.

Casey Dienel a.k.a. White Hinterland

E o destaque desta semana vai para White Hinterland, ou melhor dizendo, Casey Dienel. Artista multi facetada, multi instrumental, aparece com o seu mais recente trabalho “Kairos” e arrebata ouvidos logo na primeira faixa. “Icarus” é o som de partida para uma viagem soalheira, sem quedas abruptas, mas que nos remete para destinos sonoros que por vezes recordam uns Cocteau Twins com tiques disco beat. Muitas vezes melancólico, outras vezes a roçar um minimalismo quase irritante, Kairos parece, por vezes, querer ocupar um lugar deixado vago nos últimos tempos por Bjork e outros autores mais introspectivos e solistas. Para ouvir nas tardes mais melancólicas!

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E Bombaim aqui tão perto…

Bombay Bicycle Club

Para quem está à espera de um post sobre a India, ou sobre a ruídosa cidade de Bombaim,  o melhor é dar aos pedais, porque aqui não vai encontrar nada disso. Mas se, por outro lado, gostar de um bom som, se dá alguma coisa pelas recorrentes “next big things” a saírem do Reino Unido, então talvez aí este post lhe diga alguma coisa. O som da semana vem de bem mais perto que o título da banda posso insinuar. Os Bombay Bicycle Club são mesmo dos arredores de Londres e o seu nome talvez tenha sido influenciado por alguma loja de frango de caril, muito popular por todo o Reino Unido.

Quanto ao seu estilo de música e inspirações, fazem lembrar, por vezes, uns Suede mais rockeiros, mais agrestes e a speeds. Também me lembram uma das minhas actuais bandas preferidas, os Wild Beasts. Aqui vos deixo dois clips do único album da banda I had the blues but I shook them loose.

Uma versão mais fresca de Andrew Bird?

Owen Pallet

Para aí há um ano atrás, um companheiro de luta, com ar de talibã bonzinho, falou-me de Final Fantasy, projecto a solo de Owen Pallet, membro dos Arcade Fire. Na altura, distraído por outros interesses sonoros, fui avançando por outros caminhos musicais, mas parece que agora, finalmente, os caminhos acabam por se cruzar de novo. Pode ser o destino, mas o mais provável é serem muito poucos os artistas a ter a audácia de produzir, de corpo e alma, este tipo de música, conhecido e amado por tão poucos. Daí o reencontro.

Porém, não deixa de ser inevitável fazer comparações com o magnifíco Andrew Bird. Os sons são semelhantes, os instrumentos também e a qualidade da música idem. Por isso, só coisas boas para dizer. O primeiro trabalho a solo do jovem compositor e autor está já à disposição de todos e tem o título de Heartland. Não o escutei ainda, mas é daqueles que dificilmente poderá ser mau. Ouçam, divulguem e, se puderem, vão escutar o rapaz no nosso país nas datas agendadas para Lisboa e Aveiro. Deve ser bom! Se não acreditam no que digo, aqui ficam duas amostras:

São fanfarlões…

Fanfarlo

Jovem, se gostas de Arcade Fire, Beirut, Sufjan Stevens e mais coisas desse género (tal como eu!) então também deves apreciar a sonoridade dos Fanfarlo. Não posso, por isso, considerar que sejam a banda mais original à face da Terra, mas têm muita qualidade. Na sua ainda curta existência contam apenas um trabalho de longa duração intitulado “Reservoir”, todo ele muito consistente e rico em piruetas musicais.

O sexteto londrino foge a sete pés das formas estereotipadas mais típicas do seu país, talvez como forma de encontrar o seu lugar num mercado tão light pop como é o britânico. A multi-instrumentalidade, a organicidade e a simbiose vocálica entre os três elementos que assumem essas funções pintam a sua música de tons alegres, esvoaçantes e “uplifting”. Recomendo principalmente para dias em que apetece andar bem disposto e a cantarolar. Se não for esse o vosso estado de espírito, então dirijam-se para o polo oposto e escutem os The XX, de quem já escrevi há um par de post atrás.

Espero que gostem para que assim possamos começar num tom mais colorido o ano de 2010, ouvindo um dos mais interessantes trabalhos de 2009!

Aqui fica uma bela homenagem à cançãozinha mais irritante do ano. De longe…

Lhasa de Sela (1972 – 2010)

Lhasa de Sela (1972 - 2010)

Dificilmente poderia começar de forma pior o ano de 2010 em termos musicais. Lhasa de Sela, talentosa artista, cidadã de todo o mundo, deixa esta dimensão depois de longa e inglória luta contra o cancro da mama.

Conheci o trabalho da artista através da Rádio Universitária do Minho e desde logo tomei a decisão de o escutar de fio a pavio. E podem crer que “The Living Road” foi das maiores supresas musicais que algume vez tive. É um trabalho tão intenso, que até parece que sentimos o cheiro dos foguetes, pressentimos o sangue de uma tragédia amorosa prestes a  acontecer e sentimos o forte trago do cíume que traz para a praça a faca e o alguidar. É intenso, todo ele.  Sem dúvida e sua obra prima!

Intensa foi também a vida da cantora.  Um pouco por todo o mundo foi espalhando o seu encanto, o seu charme, proporcionando a todos que tiveram oportunidade de a ouvir momentos de inegável beleza. A sua mistura de música tradicional, chimfrim afinado de mariachi, jazz moderno e uma voz quente e sensual provam ser uma receita mágica e se ainda não tiveram a coragem de a ouvir, então que a sua morte sirva para terem uma das melhores experiência musicais de sempre. A estrada de Lhasa terminou por aqui, resta-nos continuar o percurso, deixando que as suas notas nos guiem no caminho certo.

Aqui está um artigo interessante, mais esclarecedor dobre quem é Lhasa de Sela: (www.canada.com)

http://www.canada.com/health/Juno+winning+singer+Lhasa+dies+breast+cancer/2402484/story.html

When my lifetime had just ended

And my death had just begun

I told you I’d never leave you

But I knew this day would come

– I Come In, Lhasa

MONTREAL – Lhasa de Sela was well aware of her own mortality on her self-titled third album, Lhasa, released in the spring of 2009. The acclaimed Montreal singer-songwriter died just before midnight on Jan. 1, in her Montreal apartment.

She had been battling breast cancer for 21 months, finally succumbing to her illness at the age of 37. Rumours of her death spread through the city over the weekend; the news was confirmed by her manager in a press release Sunday evening.

Born on Sept. 27, 1972 in Big Indian, New York, to a Mexican father and American mother, she spent her childhood traveling across the U.S. and Mexico in a schoolbus with her family.

She moved to Montreal at age 19. Her albums – 1997’s Spanish language, Mexican- and Gypsy-influenced debut La Llorona, 2003’s The Living Road (sung in French, English and Spanish) and her latest (her first all-English release) – have collectively sold over a million copies worldwide.

She won an ADISQ award for best world music album in 1997, and a Juno in the same category in 1998. In 2005, she won the BBC World Music Award for best artist of the Americas. In December, the London Times declared placed The Living Road at No. 3 on its list of the best world music albums of the decade. She collaborated with artists including Patrick Watson (on his latest album, Wooden Arms) and Arthur H.

“It is difficult to describe her unique voice and stage presence, which earned her an iconic status in many countries throughout the world,” said her manager David-Étienne Savoie, in the press release.

Lhasa’s evocative music never failed to make an impression, her earthy singing voice and evocative world-folk compositions striking a deep emotional chord. Her recent album found her foregoing the dramatic stylings of her previous efforts in favour of a more direct, intimate approach.

“There’s nothing strange or jarring or weird or odd about this album,” she told The Gazette in an interview last April. “It just feels super comfortable. It’s got a kind of feminine feeling to it, a luminous quality. It felt really good physically to sing.”

After performing at record launches for the album in Montreal and Paris last spring, she played two concerts in Iceland in May; her health forced her to cancel an extensive international tour scheduled for the fall.

Although Lhasa is gone, her music continues to move people in her wake.

More than 2,000 people had joined a Facebook group called En hommage à Lhasa by yesterday afternoon, and the number was rising rapidly. Among the “wall” comments: “Dès les premières notes, sa voix et son âme nous habitent.” (From the first notes, her voice and her soul inhabit us.)

This statement was posted in response to a story on the Gazette’s Words and Music blog: “Desde Madrid lloramos desconsoladamente su muerte.” (From Madrid, we cry disconsolately over her death.)

“We have always heard something ancestral coming through her,” said longtime friend Jules Beckman, in the press release. “She has always spoken from the threshold between the worlds, outside of time. She has always sung of human tragedy and triumph, estrangement and seeking, with a witness’s wisdom. She has placed her life at the feet of the unseen.”

Nem tudo é mau nesta época de materialismo crónico…

The XX

Estava eu, ontem, juntamente com mais 9 milhões de portugueses (o milhão que falta são os funcionários das lojas) a fazer as minhas compras de Natal, já com vontade de mandar tudo às urtigas e dar um cheque FNAC para a família toda, quando decidi, já que os fones estavam mesmo ali a jeito, pegar neles e escutar algumas das novidades na prateleira alternativa. De todos os que lá estavam gostei particularmente do projecto The XX.  Posso dizer mesmo que gostei tanto que adquiri o CD, mesmo sem o ter escutado todo. Não posso dizer que esta banda transpire originalidade, que seja a melhor coisa inventada nos últimos anos, mas tem algo de interessante no jogo de duas vozes (masculina e feminina) e na conjugação de sons mais electrónicos com um baixo muito saliente.

Originário da capital britânica, o quarteto lançou neste final de ano o seu primeiro trabalho e já parece ter conquistado grande parte da crítica por esse mundo fora. Pesa a seu favor, para já, o facto de terem feito do seu primeiro lançamento um trabalho já tão bom de escutar, tão fora dos parâmetros standard da música britânica que as expectativas poderão ser os seus principais inimigos. Mas isso o futuro dirá! Para já, o que temos é “X”. E já temos muito. Não é fácil ainda dizer-vos se destaco alguma canção do album. Ainda só o ouvi uma vez no carro, mas na verdade também não saltei nenhuma faixa e isso só pode ser bom sinal. Deixo-vos aqui duas amostras. Podia ser qualquer outra canção, o que só abona a favor da banda.

Se puderem, passem pelo myspace da banda. Estão lá disponíveis variadas faixas deste trabalho estreia. Dará talvez uma boa prenda de Natal? Pelo menos, para mim, foi.