De boa saúde

Nos últimos anos, tem-se assistido a um salutar ressurgimento da música de cariz mais popular, no sentido positivo do termo, e não no sentido brejeiro que por vezes é associado a esse estilo musical. Talvez isso se deva ao incansável trabalho da Antena 3, a nível nacional, e da RUM, aqui na zona do Minho e Douro Litoral. Não que não existissem artistas e bandas de valor espalhados por esse país, mas faltava seguramente quem lhes desse tempo de antena e palcos para tocar. O florescimento de centros culturais e de teatros municipais veio injectar uma nova força num género musical quase condenado à partida e, de há uns anos para cá, têm sido, muitos, variados e bons os projectos que têm surgido um pouco por todo o lado. Hoje, destacarei três:

A Naifa:

3 álbuns, 3 obras de arte. Misturaram as sonoridades típicas do fado com letras actuais, menos trágicas e com uma batida que refrescou por completo a género e provou que o fado não é como o Latim, uma língua morta. Talvez Canções Subterrâneas tenha sido o pontapé de partida para tudo o que se seguiu e tudo o que mudou na música portuguesa nos últimos anos. Do trabalho do meio,   3 minutos antes de a maré encher, deixo ficar Monotone.

Deolinda:

2006 foi o ano de nascimento desta banda, filha de dois pais entretanto desaparecidos, os Lupanar e Bicho de 7 Cabeças. Curioso como o desaparecimento de duas bandas resultou no aprecimento de uma outra, conjugando talvez o melhor dos dois mundos. Felizmente, a separação não foi traumatizante e os Deolinda têm enchido as ondas da rádio com o seu estilo alegre, que cheira a São João, a feiras, a amores perto do coreto e faz lembrar um Portugal rural em vias de extinção. Ana Bacalhau lidera a banda com uma pujança e vigor assinaláveis e que faz tremer qualquer um. Não é difícil imaginá-la como uma Padeira de Aljubarrota ou a liderar uma Revolução com cravos, pois não? Aqui fica uma versão ao vivo na Antena 3. Gosto muito da última faixa, delicioso retrato do nosso país.

OqueStrada

O mais recente e mais desconhecido projecto que me raptou os ouvidos nos últimos tempos. Não tive ainda muito tempo para investigar a banda, para além de saber que já existem há mais de meia dúzia de anos e que têm crescido tocando a sua música por várias partes do país e do mundo.  Como definir o género? Difícil de dizer! Misturem fado, jazz, pop, sons balcânicos, mediterrânicos, agitem e o resultado é Tasca Beat, o primeiro trabalho da banda. Fico à espera de ouvir mais deste grupo, porque a entrada foi excelente!


2 responses to “De boa saúde

  1. Rita Fonseca

    É verdade, a música popular portuguesa está de muito boa saúde e recomenda-se! A Naifa, Deolinda e OqueStrada são, como aponta, três bons exemplos dessa vitalidade. Todos diferentes e com um cunho bastante próprio, contribuindo para aprimorar (e diversificar, por que não também?!) o nosso património musical. Confesso que, talvez por serem mais recentes e por eu ser um nadinha dura de ouvido, os OqueStrada custaram mais a entrar. É óbvio que essa mistura de “fado, jazz, pop, sons balcânicos, mediterrânicos” só muito dificilmente entra à primeira… Mas já cá têm um lugar no coração! Foi precisamente a ouvir uma entrevista com eles que descobri esta pérola da música e da rádio online: http://cotonete.clix.pt/

  2. mistersilva74

    Sim, os Oquestrada serão, talvez, dos três projectos, o menos homogéneo, e os Deolinda candidatos seguros a revelação musical do ano, com as suas sonoridades e letras refrescantes. A Naifa, infelizmente, terá ,presumivelmente, o seu fim marcado com o desaparecimento de João Aguardela. Pena!

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