Começou o Outono há 3 ou 4 dias e estamos nós a morrer de calor! Isto anda tudo meio virado. Pode ser que as temperaturas acima dos 30º façam os eleitores mudar de ideias este domingo e votar em todos, menos nos que lá estão. Tenho essa esperança, apesar das sondagens dizerem o contrário! Se isso não acontecer, serão mais uns anos de triste fado…
Sarah Blasko
Mas era de calor que estava a falar e é das altas temperaturas australianas que vos quero falar. Há uma rapariga da terra dos surfistas e dos koalas que apanhei por acaso no Youtube e que me deixou perplexo. Perplexo por nunca ter ouvido antes nada dela, perplexo por nunca ter ouvido sequer o seu nome. Sarah Blasko, conhecem? Se conhecem, então andam bem melhor informados do que eu, o que é bem possível nos dias que correm. Pois bem, Sarah pelos visto já vai no seu terceiro trabalho de longa duração, tendo iniciado a sua carreira a solo em 2002 com The Overture and the Underscore, ao que se seguiu em 2006 What the Sea Wants the Sea Will Have. Mas não é desses que vou falar, pois já passaram à história por eu andar distraído. O mais recente e fresquinho As Day Follows Night já está na minha waiting list e espero que venha a confirmar as expectativas criadas pelo single, que aqui vos vou deixar.
Batidas fortes e uma voz sensual, a fazer lembrar Cat Power num dia bom. Parece-me que a rapariga poderia fazer estragos aqui pela Europa, não vos parece? Gravou o álbum na Suécia, esperemos que o calor da sua música não derreta o gelo e que aproveite para visitar o nosso país no caminho de regresso à sua escaldante terra.
Simples e pura como as estalactites da sua terra, a música de Olafur Arnalds arrepia-nos pela sua extrema simplicidade que nos encanta numa espécie de embalo melódico do qual não se consegue, nem se quer, fugir. Quando escutei o trabalho “Found Songs” pela primeira vez, deixei-o a tocar umas horas valentes. É impossível não o fazer, tal é o conforto e harmonia que transmite a quem o escuta. O clip que o acompanha é talvez o expoente máximo dessa obra, marcado pela simplicidade extrema que até nos faz pensar estarmos perante o melhor screensaver da história dos computadores. Se não acreditais, então “listen and weep”!
Esta edição dos Mercury Prize não deixou de ser uma grande surpresa por revelar uma vencedora de todo inesperada. Partindo como “underdog”, Speech Debelle acabou por deixar a um canto nomes de outras bandas já mais conceituadas como Kasabian, La Roux, Glasvegas e os meus ultra favoritos e queridos Florence and the Machine que, se calhar, tiveram o “azar” de andar nas bocas do mundo pelas estrondosas prestações ao vivo um pouco por todo esse mundo fora. Mas não faz mal, os Mercury Prize sempre tiveram uma tradição de anunciar vencedores pouco esperados e isso é um dos seus principais encantos e pontos de interesse. Infelizmente, parece que só grandes, ultra, mega produções do tipo MTV é que são transmitidas no nosso país, ou então os igualmente deprimentes “Brit Awards” que já consagraram nomes maravilhosos do mundo da música como James Blunt (o nome apenas ainda me causa náuseas), S Club 7, Take That ou as “talentosas” Spice Girls. Por estes, e por outros motivos, os Mercury Prize continuam a ser uma experiência sempre interessante de se ver e ouvir e referência para todo e qualquer apreciador de música alternativa. Este ano não foi excepção, com grandes bandas e grandes cantores a fazerem parte da shortlist candidata ao grande prémio. Eu, já o disse, gostava que tivesse ganho os Florence and the Machine ou então a doce Lisa Hannigan. Mas eles não me quiseram fazer o favor. Não os vi ganhar o prémio, mas pelo menos fica aqui o vídeo da performance:
Têm caneta e papel por aí? Então apontem este nome: “Mumford and Sons“. Não, não é nenhuma empresa de canalizadores ou electricistas, mas uma das enormes promessas da música “folk” britânica da actualidade. Se nunca tinham ouvido falar, não se sintam mal, pois eu também não! Na realidade, a banda tem menos de dois anos de existência e editado apenas um EP que servirá de base ao “trabalho completo” a sair lá para Outubro. As suas performances ao vivo, pelo que pude obervar no tubo também são algo de fenomenal e recomendável aos fãs de música multi instrumental “orgânica”, sem recurso a grandes tecnologias ou distorções tão em voga no panorama musical da actualidade. Digamos que para já ainda estão na selecção das Esperanças, mas palpita-me que rapidamente chegarão à Selecção A. Sinal de que podem ouvir os seus sons à confiança está o facto de serem colaboradores regulares de Laura Marling, o que, por si só, já diz muita coisa! Deixo aqui uma performance ao vivo da banda e também o seu vídeo promocional para o já mencionado album, que em princípio de chamará Sigh No More. Vamos a ver se não mudam o título até lá!