Desvio de percurso – Música alternativa

Entradas desde Maio 2009

Agora Escolha … Matthew ou Matthews?

Maio 30, 2009 · Deixe um Comentário

Andava eu entretido à procura do álbum de Scott Matthews, de quem falei há uns meses atrás, e que lançou há alguns dias o seu novo trabalho Elsewhere, quando me deparo com um outro artista, de nome Scott Matthew. Para além da pequena diferença na terminação, o som que os caracteriza é também distinto, apesar de ambos marcarem as suas canções com uma tonalidade algo melancólica que eu tanto aprecio. No que concerne a Matthews, o seu single Fractured rompe com a sonoridade mais calma e serena de Passing Stranger, seu anterior trabalho, mas confesso que ainda não escutei mais nada para além do já referido single. Será algo sobre o qual me debruçarei, talvez, no futuro.

Quanto a Matthew, ao que parece, já vai igualmente no seu segundo trabalho de originais, apesar de contar com algumas colaborações em outros trabalhos dispersos e revela uma forma de se apresentar mais taciturna, sofrida, e o seu som é também cinza escuro, mas ao mesmo tempo suave e encantador. Escutem-no que não se vão arrepender!

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5 de Junho

Maio 30, 2009 · Deixe um Comentário

Marquem a data no calendário.

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Um grande filme está para chegar.

Aqui fica o trailer:

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From Russia with love (and great songs)

Maio 28, 2009 · Deixe um Comentário

Vai por mim...é mesmo bom!

Vai por mim...é mesmo bom!

É já no dia 23 de Junho que será lançado o novo trabalho da russo-americana Regina Spektor, e admito que os meus ouvidos já salivam em antecipação do que poderá estar para chegar. As três amostras já escutadas da artista não deixam qualquer sombra de dúvida que algo de muito bom estará aí para nos alegrar o Verão. Já há uns dias aqui tinha deixado um aperitivo com “Blue Lips” gravado ao vivo no mítico programa de Jools Holland. Agora deixo-vos mais dois vídeos, tão diferentes, mas bons na mesma. “Laughing with” então deve ser das canções mais profundas e espirituais que escutei nos ultimos tempos, mas está muito bem disfarçada com um pianinho ligeiro que corta, de forma muito intencional, a sua intensidade dramática. Ficamos à tua espera aqui em Portugal Regina. Espero que não demores!

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Para reflectir enquanto se ouve

Maio 24, 2009 · Deixe um Comentário

Nos dias de hoje, torna-se cada vez mais difícil escapar às constantes tentações que nos são lançadas pelos olhos adentro a cada minuto que passa. A televisão impinge-nos um novo detergente, a rádio um novo seguro, o jornal um novo carro a revista um novo perfume. Todos nos querem algo vender algo  novo, e nós, mais cedo ou mais tarde, cederemos à tentação.

Torna-se difícil entender tudo aquilo que está por trás do gigantesco processo de fabrico, até das coisas mais simples. Seres humanos  morrem em territórios longínquos, na tentativa de manter o controlo sobre as zonas ricas em minérios necessários para as baterias dos nossos companheiros telemóveis. Agricultores, escravos modernos, trabalham de sol a sol para podermos comer as bananas e os ananases tão baratos no supermercado, criados recebem salários de miséria em hoteis de luxo onde se paga mais por meia tarde do que eles ganharão o ano inteiro. A lista de injustiças é infindável, não é nova, mas também não parece em vias de ser encurtada e muito menos eliminada.

Escravo

Escravo

O mundo da música não escapa a este flagelo mundial, do desprezo pelo valor da vida humana e animal, mas poucos são os artistas que conseguem ver para além dos seus êxitos na tabela de discos vendidos, ou das fortunas amealhadas com as digressões mundiais e fazer algo de nobre, ou que, pelo menos nos obriguem a pensar um pouco nas nossas decisões do dia a dia e que, sem sabermos, podem afectar alguém do outro lado do planeta. Os Radiohead, com mais uma brilhante composição na sua já longa e fenomenal carreira, optaram por fazer ouvir a sua voz em defesa de uma causa, criando um teledisco pungente e marcante. “All I need” é o título. Recomendável a crianças e adultos!

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Só digo isto…

Maio 20, 2009 · Deixe um Comentário

Vem aí coisa boa!

Regina Spektor - Far

Regina Spektor - Far

Daqui a um mês!

Até lá…

Aguentem!

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Eu estive lá!

Maio 20, 2009 · 2 Comentários

Antony and The Johnsons ao Vivo Coliseu do Porto

Antony and The Johnsons ao Vivo Coliseu do Porto

Nos agitados e desgastantes dias de hoje, são poucos os concertos a que tenho oportunidade de assistir e, sabe Deus, e sei eu, que até ouvir um CD do início ao fim já se começa a revelar uma raridade. No entanto, há alguns momentos de luxo em que nos sentimos priveligiados por poder assistir a algum fenómeno celestial, como a queda de uma estrela, ou a erupção de um vulcão, ou qualquer outro fenómeno natural.  E Antony é mais ou menos isso, um fenómeno natural e celestial ao mesmo tempo. A sua voz não é deste planeta, a sua música do céu e as suas letras frequentemente de um pequeno inferno muito, muito pessoal.  O concerto a que tive oportunidade de assistir, num Coliseu do Porto repleto, mostrou-nos um Antony que eu ainda não havia visto, um Antony muito bem disposto, por vezes cómico, interventivo e encantador. A sala rendeu-se, e aquele que poderia ter sido um concerto deprimente e negro, acabou por ser um momento quase religioso, de comunhão e entrega, entre Antony e o seu fiel público. Todos os que lá estiveram, saíram com um sorriso nos lábios, algo quase inimaginável para um concerto que promove um álbum tão escuro como The Crying Light. Antony iluminou-nos com a sua voz e presença. Aqui vos deixo uma pequena amostra, não filmada por mim, mas retirada de duas das muitas máquinas que por lá se viram a funcionar nessa noite tão especial. A quem filmou estes excertos, o meu muito obrigado!

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De boa saúde

Maio 16, 2009 · 2 Comentários

Nos últimos anos, tem-se assistido a um salutar ressurgimento da música de cariz mais popular, no sentido positivo do termo, e não no sentido brejeiro que por vezes é associado a esse estilo musical. Talvez isso se deva ao incansável trabalho da Antena 3, a nível nacional, e da RUM, aqui na zona do Minho e Douro Litoral. Não que não existissem artistas e bandas de valor espalhados por esse país, mas faltava seguramente quem lhes desse tempo de antena e palcos para tocar. O florescimento de centros culturais e de teatros municipais veio injectar uma nova força num género musical quase condenado à partida e, de há uns anos para cá, têm sido, muitos, variados e bons os projectos que têm surgido um pouco por todo o lado. Hoje, destacarei três:

A Naifa:

3 álbuns, 3 obras de arte. Misturaram as sonoridades típicas do fado com letras actuais, menos trágicas e com uma batida que refrescou por completo a género e provou que o fado não é como o Latim, uma língua morta. Talvez Canções Subterrâneas tenha sido o pontapé de partida para tudo o que se seguiu e tudo o que mudou na música portuguesa nos últimos anos. Do trabalho do meio,   3 minutos antes de a maré encher, deixo ficar Monotone.

Deolinda:

2006 foi o ano de nascimento desta banda, filha de dois pais entretanto desaparecidos, os Lupanar e Bicho de 7 Cabeças. Curioso como o desaparecimento de duas bandas resultou no aprecimento de uma outra, conjugando talvez o melhor dos dois mundos. Felizmente, a separação não foi traumatizante e os Deolinda têm enchido as ondas da rádio com o seu estilo alegre, que cheira a São João, a feiras, a amores perto do coreto e faz lembrar um Portugal rural em vias de extinção. Ana Bacalhau lidera a banda com uma pujança e vigor assinaláveis e que faz tremer qualquer um. Não é difícil imaginá-la como uma Padeira de Aljubarrota ou a liderar uma Revolução com cravos, pois não? Aqui fica uma versão ao vivo na Antena 3. Gosto muito da última faixa, delicioso retrato do nosso país.

OqueStrada

O mais recente e mais desconhecido projecto que me raptou os ouvidos nos últimos tempos. Não tive ainda muito tempo para investigar a banda, para além de saber que já existem há mais de meia dúzia de anos e que têm crescido tocando a sua música por várias partes do país e do mundo.  Como definir o género? Difícil de dizer! Misturem fado, jazz, pop, sons balcânicos, mediterrânicos, agitem e o resultado é Tasca Beat, o primeiro trabalho da banda. Fico à espera de ouvir mais deste grupo, porque a entrada foi excelente!


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Os diários de Maria e José

Maio 16, 2009 · Deixe um Comentário

Diário de Maria

Querido diário,

cada vez mais gosto de ser professora. Hoje, pela primeira vez na minha vida, fui convidada para entregar umas medalhas de uma prova de desporto. Estou certa que tudo vai correr bem e que tudo decorrerá com muita elevação e saudável espírito desportivo. Depois digo como correu:

Querido diário,

a festa da entrega das medalhas correu mesmo bem! Dá gosto ver como os jovens de hoje são participativos e gostam de interagir com as pessoas no palco. O apoio que me deram foi muito encorajador. Acho que da próxima vez devíamos fazer uma sessão de Karaoke, talvez assim batam mais palmas. Aqueles buuu-uuuuus de apoio por vezes são um pouco maçadores. Para a próxima semana estou a pensar ir a Fafe entregar uns diplomas. Ouvi dizer que as pessoas lá estão muito entusiasmadas por me receber. Mal posso esperar!

Querido diário,

a visita a Fafe superou todas as minhas expectativas. As pessoas de lá, em especial os jovens, receberam-me de braços abertos. Até me fizeram oferendas de géneros alimentícios. O José disse-me mais tarde que essas cerimónias só se fazem com pessoas extremamente importantes e queridas do povo. Só tive pena de termos saído de lá a grande velocidade. Gostava de ter conhecido melhor a cidade. Pareceu bonita! Para a semana planeio ir com o José visitar uma pré-primária. Gosto muito de criancinhas, são tão espontâneas, acho que tenho um jeito especial com elas. O José diz que também quer ir. Assim, já me pode observar a dar aulas e fazer uma avaliação dos meus dotes como educadora.

Querido diário,

a visita à pré-primária correu lindamente! De início, as crianças pareciam um bocado assustadas comigo e com o José. Também não é todos os dias que se tem uma aula assistida, mas acho que me portei bem. Até tentei usar o chamado humor popular e perguntei à criança se queria de frente ou de costas. Que pena não ter sido numa turma com alunos mais crescidos, estilo CEF, esses sim, iriam apeciar o meu fantástico sentido de humor! Cada vez gosto mais de ser Ministra. As salas de aula até são giras, que pena é eu nunca ter tido oportunidade de trabalhar numa. O trabalho de gabinete às vezes é um bocado maçador e tenho que andar sempre a inventar novas leis e regulamentos para tornar a vida dos nossos jovens mais agradável. Ainda bem que o Lemos e o Pedreira também gostam disto. Tenho que ir ver se algum deles já deu aulas numa escola a sério…

Diário de José

Querido diário,

tive hoje a oportunidade de assistir ao trabalho da minha amiga Maria ao vivo. Ela andava sempre a dizer que era tão bom andar aí pelo país a distribuir coisas porreiras, que desta vez decidi ir com ela. Devo dizer que fiquei surpreendido com a Maria. Só não entendi por que carga de água foi ela pedir à criança para soletrar o nome da gata quando ela já lhe tinha dito que não sabia escrever. Devia estar distraída! Ela dá-se sempre tão bem com as crianças e conhece tão bem o trabalho de escola… De qualquer das formas, acho que ela pode melhorar e tentar rentabilizar mais o Magalhães. Afinal, aquilo não deve servir só para jogar e vender na feira. Andei a pesquisar e acho que ela deverá aprender com este senhor. Estou até a pensar convidá-lo para Secretário de Estado. Estou farto do Lemos e do Pedreira. São muito quadradões!

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Para dar um toque mais nacional…

Maio 10, 2009 · Deixe um Comentário

Ainda na época 04/05 os Mazgani foram considerados por uma revista da especialidade francesa como das melhores coisas que se faziam aqui no velho continente. Surpreendente o facto de ser uma revista francesa a fazer tal afirmação, surpreendente o facto de em Portugal serem praticamente desconhecidos do público e das ondas da rádio. Surpreendente também o nome, tão pouco lusófono, da banda, justificado pela origem iraniana do seu mentor e vocalista, Sharyah Mazgani. Tal cartão de visita atribuído pela revista francesa acabou por abrir as portas do mercado nacional e, apesar de um discreto sucesso nas tabelas e airplay, os Mazgani lançam em 2007 Songs of the New Heart, demonstrando uma música muito consistente, introspectiva, mas embebida do muito luso espírito melancólico.

Mazgani

Mazgani

Por isso, aqui deixo a faixa single, demonstrativa do que acabei de afirmar, para que os 3 ou 4 acidentados de pesquisa estrangeiros que vêm aqui parar ao blog, possam ver alguma coisa do que de bom se faz no nosso país. “Bring your Love” será o prato da semana!

E a Rita…mas com botas

Rita Redshoes

Rita Redshoes

Para os forasteiros que eventualmente aqui parem à procura de coisas boas, aqui vos deixo também Rita Redshoes, uma das mais interessantes artistas do panorama nacional. O teledisco é algo estranho, mas a canção não fica a dever nada, mas mesmo nada a tanta coisa que nos impingem de outras partes deste desequilibrado planeta. Aqui fica Rita e os seus sapatos vermelhos, com The Beginning Song, num vídeo à la Dolly Parton (tirando o pára choques!).

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Por todos os minutos de alegria e frustração da minha infância…Obrigado Vasco!

Maio 4, 2009 · 2 Comentários

Gostava de ter mais tempo para alongar este post à dimensão que merecia. Gostava de expressar toda a simpatia, carinho e sentimento de dívida que eu, como membro de uma geração de 74, devo a Vasco Granja. Quantas horas passei em frente da televisão, esperando ansiosamente pelo programa “Animação” que passava, creio, nos sábados de tarde.

Vasco Granja

Vasco Granja

Lembro-me, sobretudo, da voz e do ar simpático desse senhor, do seu look paciente de professor aluado e das alegrias que ele me dava quando passava um novo episódio da Pantera Cor de Rosa ou da frustração que era então ter que ver desenhos animados dos países de Leste, que eu ainda não tinha capacidade para apreciar. Era um duelo desigual, e era essa a luta de Vasco Granja, mostrar-nos algo mais do que os mais imediatos e espectaculares bonecos da WB.

É mais uma referência da minha infância que desaparece deste mundo. De mim, e de todas as crianças de sábado à tarde, muito, muito obrigado.  (Desta vez o coiote apanhou-te!)

Aqui deixo “The Walkabouts” com “The Light will stay on”. Espero que o Vasco goste, como eu adorei os minutos passei em frente da TV a preto e branco a vê-lo!

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