Máquina do tempo.

Não tenho tido grandes surpresas musicais ultimamente. O pouco que tenho ouvido, se bem que bom, não me tem entusiasmado por aí além e a explosão festivaleira deste Verão tem assaltado as ondas da rádio e da TV, não deixando espaço para muito mais.

Porém, estava eu no outro dia a ver o programa de Jimmy Fallon e preste a mudar de canal quando este apresenta uma tal de Sharon Jones e uma banda chamada The Dap Kings. Posso dizer  que fiquei maravilhado com a performance.

Sharon Jones and the Dap Kings

O que me chamou a atenção foi mesmo a voz possante, a presença em palco e toda a musicalidade de uma mistura de jazz, funk e soul que já não se ouve nos dias de hoje. É pena que uma banda com esta pujança esteja provavelmente condenada a uma existência marginal, subtil condenada sempre aos palcos secundários e reservados apenas para os conaisseurs. Tivesse Amy Winehouse metade da pujança ao vivo e menos 90% de drogas no sangue e talvez o género musical ganhasse novas asas. Mas a rapariga assim não entendeu!

Já Sharon Jones parece ter ganho dessa forma uma nova vida. Numa entrevista acabou por admitir que era, de acordo com a sua editora, demasiado baixa, demasiado gorda e demasiado escura para poder ter uma carreira de estrela. Infelizmente, no meio musical, e não só, o que se parece é mais importante do que aquilo que se faz e o talento que se tem. É pena, o mundo fica a perder! Por isso, para quem tiver curiosidade, digo já que a parceria entre a cantora e os Dap Kings é das mais valiosas do momento. Procurem, comprem, escutem. Não se arrependem!

Os bons, os maus e os engraçados…

Bons, sempre bons, foram, e são, os Unkle. Projecto bicéfalo de James Lavelle + 1, tem conseguido com alguma regularidade, e apesar de alguns altos e baixos, produzir trabalhos de grande qualidade, misturando sons sujos e agressivos de uma forma harmoniosa e  colorida. O seu mais recente fruto é “Where did the night fall”. Saiu há pouco, já ouvi e gostei. Fica aqui uma pequena amostra.

Maus, maus, andam os Goldfrapp. Quem ouviu Felt Mountain e agora arrisca nas suas novas sonoridades pops não pode sentir mais do que uma grande desilusão. Tornaram-se incrivelmente pop, sem ponta da melancolia e originalidade do primeiro trabalho. A partir daí, arrisco dizer, o declínio foi gradual, mas constante. Passaram, em definitivo, para a prateleira das boas recordações. Levaria Felt Mountain para uma ilha deserta comigo se pudesse escolher 10 albuns marcantes. Os outros, deitaria o mar, assim que o barco começasse a meter água!

Já os The Black Keys são outra onda totalmente diferente. Doridos, zangados com a vida, cantam de forma amargurada as suas dúvidas, os seus desejos, soltando as suas sombras de uma forma quase soul, pouco apreciada nos dias de hoje. No entanto, para demonstrar o seu sentido de humor muito peculiar lançaram os vídeo Next Girl, e Tighten Up que achei absolutamente divinos. Espero que gostem!

Das cinzas da Islândia, a mensagem de Arnalds

Aqui fica um registo repetido de um compositor contemporâneo que conseguiu captar, há já algum tempo, a minha completa atenção. Olafur Arnalds, islandês de nascença, maravilhoso de vocação, lançou, há poucos meses um novo trabalho intitulado “…and they have escaped the weight of darkness“. O nome das músicas é absolutamente impronunciável, por isso nem vou tentar trasncrever o que quer que seja, os sons falarão por si e não são necessárias legendas.  Passem pelo seu site, escutem, maravilhem-se e voltem para mais. A Islândia precisa de carinho!

Just Do it!

The Do

Até podem não ser a novidade do momento, nem o seu trabalho, “A Mouthful”,  ter sido acabado de pôr nas prateleiras, mas descobri-os há pouco e, por isso, para mim, são fruta fresca!

Os “The Do” são um duo bi – nacional, com raízes em França e na Finlândia e uma sonoridade simples, mas melodicamente bem combinada. Trazem à memória (talvez pelo timbre vocálico) umas canções menos más dos suecos “Cardigans” e um certo despretenciosismo que só fica bem naqueles dias em que não apetece andar deprimido.

Não parece estar nada previsto no que diz respeito a novos lançamentos, ou sequer se o projecto terá continuidade após um primeiro album de sucesso relativo. Eu, por mim, diria que merecem uma segunda oportunidade de mostrar o que valem. E vocês, o que dizem?

Negro, como as noites de antes!

Bom, eu sei que para já o que está a dar é a onda revivalista dos anos 80, do pop chunga, que de repente se tornou cool de novo. Não tenho nada contra a década em causa. Afinal, vivi nela durante dez anos, mas em termos musicais não me deixou assim lá grandes lembranças, apesar de serem dessa temporada grande parte das canções que ainda hoje sei cantarolar (não sei se isso é bom ou mau!). A banda que recentemente conheci, e de que hoje vos falo, os Zola Jesus, traz à memória auditiva e olfactiva bares escuros, cheios de fumo, sons pesados e toilletes negras a roçar o gótico depressivo. Nada mau, portanto!

Zola Jesus

Zola Jesus (não é parente de Jorge Jesus, como se pode comprovar pela côr de cabelo!)

Para quem gostou dessa onda, então os Zola Jesus são uma trip ao passado, a algo temporal que já não faz parte da cultura actual e só por isso já vale a pena.  Estará aí para chegar uma nova onda revivalista da mais negra música gótica? Eu já não digo nada, mas aconselho a audição para quem foi fã do estilo, ou para quem anda a pesquisar sobre tons musicais negros e nebulosos.

Agora é mesmo a sério…the next big thing. E mai nada!

Codeine Velvet Club

Não vou ter muito para escrever sobre a banda. São demasiado recentes para se fazer grandes prognósticos, mas são escoceses, têm dois singles (assombrosos e nostálgicos) e têm um som que pode ser considerado muito uptlifting e isso nos dias de hoje é raro! Por isso, aqui fica o meu voto de confiança nos Codeine Velvet Club. O album já saiu. Se puderem, comprem-no e depois digam se é bom como os dois singles, ok?

Olha quem ela é!!!

Hope Sandoval

Mais de uma década depois de Mazzy Star, Hope Sandoval ainda está viva. Poderíamos perguntar se está mais madura, se mudou a sua forma de cantar, se faz as coisas de forma diferente e a resposta será provavelmente: parece que não! Pegando na receita original, continua a cantar no mesmo tom meloso, soturno, com cheiro a tabaco e a noites longas numa cadeira de bar de um filme negro. Por isso, nada de novo, mas isso para os fãs de Mazzy Star até é uma boa notícia.  Não trazendo nada de novo ao panorama da música, deixo ficar aqui o vídeo mais recente de alguém que, pensava eu, neste momento estaria mais ocupada num trabalho limpo e honesto do que a cantar como há 15 anos atrás. Só para os fãs este:

E para os apenas saudosos, como eu, este: