Sabem aquela coisa que acontece, muito de vez em quando, ao ouvirmos uma canção, ou uma melodia, e pensarmos: “Epá, aqui está algo de extraordinário!”? Pois bem, tive um momento desses. Ao dar de encontro com a música dos Wild Beasts, aconteceu algo semelhante ao que me sucedeu na primeira vez que escutei os Arcade Fire (mas aviso já, o encontrão é tão forte que vos pode deixar meio zonzos). Supremos! Este grupo britânico tem aida a “agravante” de possuir no seu par de vocalistas duas vozes extraordinárias, que podem facilmente ser comprovadas nas suas performances ao vivo. Mas quem são afinal estas “bestas”? Pois, são um jovem grupo de terras de Sua Majestade que revelam um talento extraordinário para a música e que não têm passado despercebidos na imprensa especializada. Estão para já, ainda, na selecção de Esperanças, mas estou optimista que se continuarem com o nível de performance actual, rapidamente chegarão ao top do mundo alternativo.Vejam aqui a performance no Later de Julles Holland:
O segundo trabalho da banda, Two Dancers, é já considerado pelos especialistas da matéria como dos melhores do ano de 2009 e desta vez parece que estamos de acordo. Sublime a todos os níveis, é daqueles albuns para se guardar como um bem precioso e inestimável.
Quanto a visitas ao nosso país, até parece que estamos com alguma sorte, já que daqui a alguns dias, 4 de Dezembro, creio, o talentoso grupo estará no Festival Super Bock da capital. Quem puder lá estar, presenciará seguramente um espectáculo extraordinário, por isso, se puderem, marquem na agenda! Até lá, vão escutando Two Dancers, candidato mais forte a trabalho do ano aqui no blog!
Ainda não sei muito bem qual a dimensão desta banda no meu coração. Ainda não sei se os hei-de medir em centímetros, metros, ou quilómetros quadrados. A primeira vez que os ouvi, fiquei com a sensação de serem demasiado distorcidos, eléctricos e ásperos, características que nem sempre me atraem, pois para barulho e distorções já chega o que ouço todos os dias no trabalho…e não, não é música, é mesmo de ruídos e de mentes que falo! Por esta ordem.
Metric
Pois bem, depois de ter decidido dar mais uma chance a esta banda, que já não é nova nestas andanças, lá comecei a gostar mais das suas sonoridades e afinal acabo por constatar que são bem mais harmoniosos e melódicos do que me tinham parecido na primeira audição. Não sei se ainda não acabo por “desclassificá-los” de novo por serem demasiado afinadinhos, vamos lá ver!
A origem da banda está plantada em Toronto (sim, mais uma grande criação canadiana) e os seus trabalhos já remontam a 2003, altura em que editaram “Old World Underground, where are you now?” ao que seguiu, um par de anos depois, “Live t Out”, aclamado pela crítica da América do Norte como dos melhores trabalhos alternativos da época. O último trabalho, “Fantasies” é bem recente e tem gozado de algum, pouco, airplay nas nossas tristes rádios nacionais. Aqui deixarei três amostras de três canções. Um misto soft melódico / asperozinho, só para ver se entendem o porquê do meu dilema. E depois digam-me , vamos gostar deles a centímetros quadrados, a quilómetros quadrados, ou a metro é que está bem?
Quem olhasse para o historial de bandas a que Conor Oberst já fez parte, seria levado a pensar que o artista teria já ,pelo menos, uns 60 anos de idade. Nada podia estar mais errado. Conor nasceu apenas no ano recente de 1980, mas já fez parte de tantos projectos e já assumiu o papel de líder em tantas bandas que é fácil perceber a inquietude que lhe vai na alma. Desaparecidos, Norman Bailer, Commander Venus, Park Ave., Conor Oberst and the Mystic Valley Band são os nomes dos grupos por onde foi deixando a sua marca, alternando e acumulando os papeis de vocalista, instrumentista, escritor e mentor, sempre com prazos de longevidade muito curtos. Podemos por isso dizer que Conor é uma espécie de iogurte topo de gama, daqueles mesmo, mesmo bons, mas que, infelizmente não aguenta muito tempo sem começar a azedar! Neste momento, surpresa das surpresas, encabeça um novo projecto intitulado Monsters of Folk, uma espécie de selecção do “resto do mundo”, que pega em membros de mais duas ou três bandas e tenta criar algo que ainda não tenham feito antes. Não conheço o trabalho, não farei, por isso comentários. Voltando ao Coner, devo dizer que ainda não sei se o devo encarar como génio (já que é assim que grande parte da imprensa da especialidade o trata), ou como menino mimado, para não entrar de novo na metáfora do iogurte. Não sei ainda. Vamos deixar amadurecer mais dois ou três projectos para ver como isto acaba. Deixo-vos um vídeo simples, triste, deprimente, mas que nos mostra o artista na sua faceta mais simples: sem efeitos, crú, acompanhado apenas de uma guitarra. Depois, volta para o frigorífico a ver se aguenta mais uns anos…
Encontrei, mais uma vez ao acaso, na famosa blogotheque, mais um dos por vezes estranhos “concerts a emporter”. Da artista Camille já eu tinha postado há uns meses atrás um pequeno post, pela sua “criatividade”, mas desta vez é mesmo a sua voz que me supreende. Muito afinadinha, supreende, sobretudo, pelo quase sussurro em que a sua voz por vezes se torna. Recentemente, a artista juntou-se a um outro performer, de seu nome Piers Faccini, para mim totalmente desconhecido, (embora tenha uma voz parecida com James Taylor) e decidiram fazer umas covers de duas canções de artistas britânicos: Sandy Denny e Nick Drake. Melancólicos, é certo, mas não menos belos por isso, as duas covers demonstram que é possível dar uma nova roupagem, sem estragar o espírito das versões originais. Posso continuar a gostar mais da versão de Nick Drake, mas é capaz de haver quem goste mais desta a duas vozes. Vejam lá se vocês gostam também!
Esta confesso que me apanhou de surpresa, mas como gosto muito de café e também gosto muito de Antony Hegarty e da sua voz, aqui vos deixo o badaladíssimo clássico “Nessun Dorma”, cantado pelo mesmo.
Mais de 15 anos já passaram desde a chapada auto destrutiva, depressiva, repleta de auto comiseração que foi Creep. Quem ouvia os Radiohead no “longínquo” ano de 93, estaria longe, muito longe de pensar que se estaria perante um dos mais criativos projectos musicais da década. Na altura em que o grunge e as suas sonoridades roufenhas imperavam nas cabeças das tribos mais alternativas, os Radiohead apresentavam-se como o caminho a seguir: igualmente tristes, semelhantemente depressivos, mas mais libertadores. Quem não gritaria em plena época fin de siécle “I’m a creep, I’m a weirdo, what the hell am I doing here, I don’t belong here”? Foi um grito de libertação. Foi o início de um percurso genial.
Thom Yorke
O “zarolho” Thom York, depois de um período de turbulências pessoais e de um album de estreia “Pablo Honey” que superou qualquer expectiva inicial, liderava os Radiohead para o seu período mais original e consensual em termos musicais (na minha opinião). “The Bends” demonstra já uma maturidade e complexidade sonoras ao alcance apenas dos predestinados e passados mais uns anos “Ok Computer” destaca-se de tal forma que alguns (eu também) o elegeram como album do século. É daqueles Cds que pode tocar vezes e vezes sem conta e nunca cansa, há lá sempre algo mais para descobrir.
Depois disso, infelizmente na minha opinião, os Radiohead decidiram inverter o rumo e guiar-nos noutro sentido. Levaram-nos para estradas sinuosas, de sentidos difíceis de entender, esburacadas, de ruídos e distorções mais dificeis de entender. Na opinião de alguns, e na minha também, continuam a ser os mais criativos e experimentais autores do rock actual, com o grande bonus de saberem que tudo o que fazem ser bom e por isso se estarem a borrifar para as críticas o para os críticos.
Nesta fase, Thom Yorke, o nosso GPS musical, trilha a solo alguns caminhos menos percorridos, continuando a ousar experimentar coisas diferentes num mundo musical tão pré formatado de percursos únicos, sem alternativas. Aqui deixo o seu mais recente trabalho, estranho como sempre, delicioso como nunca. Podem ir atrás dele que não se perdem…
Já tinha visto este filme há uns anos atrás numa versão manhosa retirada da net, depois de ter visto um trailer num site qualquer. O filme é absolutamente fabuloso, a história conhecida de todos e a música também, mas a forma como tudo se entrecruza em tão singular trabalho é de nos deixar um sorriso nos lábios. Vejam o filme numa boa versão. Vale bem a pena, garanto-vos! Prokofiev pode não ser de facto um actual alternativo, mas seguramente já o foi no sei tempo. Aqui deixo Pedro e o Lobo. Este também fica bonzinho no filme e os animais são mesmo os homens.
A expressão “discos pedidos” traz-me à mente sentimentos antagónicos de saudade e ao mesmo tempo de alguma depressão, associados a fases distintas da minha vida. A saudade vem dos bons velhos tempos dos rádio gravadores dos anos 80 e 90 (avançadíssima tecnologia na época) que nos permitiam, com muita persistência e paciência, gravar alguns dos nossos temas musicais preferidos transmitidos nas míriades de estações musicais existentes na livre selva hertziana da época. Quantas e quantas vezes não eram as famosas cassetes gravadas e regravadas ? Quantas e quantas vezes não nos apeteceu estrangular o locutor, quando a 30 segundos do fim da canção se atrevia a interromper a musiquinha só para dizer um disparate qualquer? Enfim eram outros tempos!
A fase deprimente é a actual. Os “discos pedidos” tornaram-se uma espécie de paródia nacional, com momentos radiofónicos tão hilariantes, não fosse o caso de serem deprimentes e a música escolhida sempre, sempre tão má! Pois bem, hoje vamos utilizar os discos pedidos em prol da pequena comunidade que por vezes aqui vai passando e muito raramente se dá ao trabalho de comentar algo. Muito recentemente, um dos visitantes deste blog , de seu nome Fábio, propôs o nome dos “The Asteroids Galaxy Tour” como sendo merecedores de destaque num blog que pretende ser alternativo. Pois bem, depois de alguns minutos de atenção e pesquisa, fiquei da opinião que têm uma sonoridade interessante (mesmo não sendo, para mim, dos projectos mais fascinantes, se levarmos em conta os meus gostos pessoais) e por isso aqui os deixarei como a banda da semana.
The Asteroids Galaxy Tour
Os TAGT tornaram-se globalmente famosos quando um dos seus singles, “Around the Bend”, se tornou o soundbite de um anúncio para uma marca de telemóveis. (Hoje em dia, parece ser essa uma das melhores formas das bandas conseguirem promover as suas canções, senão veja-se o caso dos Shout out Louds, ou da agora popular, graças à cerveja, Brandi Carlile.) A partir daí, esta jovem banda dinamarquesa, duo a maior parte do tempo, tem andado por aí a correr festivais e a fazer as primeiras partes de bandas e artistas de maior calibre. Promissor o primeiro trabalho longa duração “Fruit”, do qual deixo o meu single de eleição “The Sun Ain’t Shining no More”, que também faz recuar no tempo para aí umas duas ou três décadas. Fábio, se quiseres dedicar a canção a alguém lá da empresa, da freguesia, à tua namorada ou aos amigos, vais ter que deixar aqui mensagem.
Começou o Outono há 3 ou 4 dias e estamos nós a morrer de calor! Isto anda tudo meio virado. Pode ser que as temperaturas acima dos 30º façam os eleitores mudar de ideias este domingo e votar em todos, menos nos que lá estão. Tenho essa esperança, apesar das sondagens dizerem o contrário! Se isso não acontecer, serão mais uns anos de triste fado…
Sarah Blasko
Mas era de calor que estava a falar e é das altas temperaturas australianas que vos quero falar. Há uma rapariga da terra dos surfistas e dos koalas que apanhei por acaso no Youtube e que me deixou perplexo. Perplexo por nunca ter ouvido antes nada dela, perplexo por nunca ter ouvido sequer o seu nome. Sarah Blasko, conhecem? Se conhecem, então andam bem melhor informados do que eu, o que é bem possível nos dias que correm. Pois bem, Sarah pelos visto já vai no seu terceiro trabalho de longa duração, tendo iniciado a sua carreira a solo em 2002 com The Overture and the Underscore, ao que se seguiu em 2006 What the Sea Wants the Sea Will Have. Mas não é desses que vou falar, pois já passaram à história por eu andar distraído. O mais recente e fresquinho As Day Follows Night já está na minha waiting list e espero que venha a confirmar as expectativas criadas pelo single, que aqui vos vou deixar.
Batidas fortes e uma voz sensual, a fazer lembrar Cat Power num dia bom. Parece-me que a rapariga poderia fazer estragos aqui pela Europa, não vos parece? Gravou o álbum na Suécia, esperemos que o calor da sua música não derreta o gelo e que aproveite para visitar o nosso país no caminho de regresso à sua escaldante terra.
Simples e pura como as estalactites da sua terra, a música de Olafur Arnalds arrepia-nos pela sua extrema simplicidade que nos encanta numa espécie de embalo melódico do qual não se consegue, nem se quer, fugir. Quando escutei o trabalho “Found Songs” pela primeira vez, deixei-o a tocar umas horas valentes. É impossível não o fazer, tal é o conforto e harmonia que transmite a quem o escuta. O clip que o acompanha é talvez o expoente máximo dessa obra, marcado pela simplicidade extrema que até nos faz pensar estarmos perante o melhor screensaver da história dos computadores. Se não acreditais, então “listen and weep”!